domingo, 28 de julho de 2013

On the road

      Em cada lugar que eu vou, fica uma parte de mim. A cada parte que eu deixo, é um mundo que levo comigo.
      Na primeira vez que parti, quase não me recuperei. Imaturo, inocente, novo demais. Sofri. Chorei. Passei tempos me procurando, tentando deixar a mente no mesmo lugar que o corpo. Foi duro, pesado, sofrido. Tão duro que contagiou o coração. Assim, era inevitável a decisão de não me apegar, não fincar raízes, não querer ficar. Pra quê? Achava que só eu sofria. Com isso, eu fui quem mais perdi. Perdi amizades, perdi momentos, perdi vida. Privava-me de viver para não me apegar, esse era o lema. Por isso, na segunda, terceira, quarta ou milésima vez que parti, já sofria menos.
      Mas inevitável também era algum deslize nesse percurso. Mais sofrimento. O tempo foi passando, continuei no mesmo dilema. E se você contar minhas idas e vindas, meu vai e vem, parte e retorna, vai e fica... Literalmente uma vida na estrada. Deixando o egoísmo de lado, no fundo eu era feliz e não sabia. Ou sabia?
      Com maturidade, experiência e conhecimento de mundo, veio a certeza de que as estradas estão ao meu favor, estão do meu lado, diminuindo distancias, aproximando abraços e fixando olhares. As estradas e a tecnologia. Os tempos são outros, as facilidades multiplicadas. Hoje, pra quem vive longe, manter-se perto já não despende tanto trabalho. E junto com a facilidade de viver um pouco perto de quem está a quilômetros de distância, veio também a permissão de entregar-se. A vontade de viver, de se permitir. Pra quê evitar o laço e ficar junto sozinho? Muito melhor ficar longe junto. A partida hoje já não significa tanto. O que me importa é a chegada. É o retorno. Os momentos juntos são incontavelmente mais compensadores e significantes do que o tempo distante.

      “Quem me diz da estrada que não cabe onde termina?”

      “Quantas são as dores e as alegrias de uma vida, jogadas na explosão de tantas vidas?”

      “A gente é feito pra acabar. A gente é feito pra dizer que sim, a gente é feito pra caber no mar. E isso nunca vai ter fim.”

      Em cada lugar que eu vou, fica uma parte de mim. A cada parte que deixo, é um mundo que levo comigo.



domingo, 7 de abril de 2013

Amor em preto e branco


      Era uma vez mais um lindo conto de fadas... E esse conto de fadas, como em todos os outros, tem uma linda e inocente princesa, apaixonada por um galante e sedutor príncipe. O amor dos dois estava escrito nas estrelas, era previsto por todos da região e apoiado por todos do reino. Era lindo, sincero, apaixonante. A princesa, sedutora e misteriosa, arrematou o coração do jovem príncipe de uma forma avassaladora. As famílias estavam vibrando a relação dos dois, a sonhada união dos dois corações de ouro. 
      Nas tardes ensolaradas, o jovem herdeiro do grande reino ia passear nos campos com o seu cavalo alado e sonhar com o seu futuro muito mais que imediato, enquanto a linda princesinha ficava sonhando e planejando seu futuro perfeito na janela do seu quarto no topo do imenso castelo. Ao final do dia, como em todos os outros, os dois pombinhos se encontravam e, recatados, tímidos, envergonhados, faziam suas singelas declarações, seus carinhos rápidos e logo iam para seus aposentos ou para uma das inúmeras celebrações que eram obrigados a ir diariamente.
      Nessa rotina perfeita, no meio desse grande e glamoroso sonho, eis que surge um bárbaro, vindo de terras distantes, e começa a rodear o pacato reino. Todos perceberam a chegada desse homem rude e grosseiro, com seu jeito bruto, seus maus modos, sua falta de educação e de comportamento.
      Mas, como ironia do destino, o desumano bárbaro avistou um lindo sorriso acompanhado de olhos sinceros e reveladores, sorrindo para tudo, para todos, cheios de alegria, e transbordando paz na principal janela do castelo do grande rei. Não podia ser diferente, os olhos daquela linda donzela conquistaram o brutal coração daquele homem e foram capazes de mostrar, até, que por trás de tudo o que ele representava, havia, também, algo de bom.
      Indo contra tudo e contra todos, o bárbaro acabou por despertar algo diferente na linda princesa e fazendo com que ela, que sempre planejou tudo em sua vida, fosse capaz de se arriscar em uma surpreendente aventura. Talvez amor, talvez paixão, talvez desejo, ou talvez tudo junto fez com que a princesinha saísse de sua proteção, de perto de tudo o que lhe era proporcionado, de perto de todos, para se arriscar em uma aventura amorosa na simples cabana do homem bárbaro, que se escondia nos confins do reino.
      Nesse ninho de amor, a princesinha conheceu coisas que não sabia, fez coisas que nunca imaginou fazer, teve conversas que nunca pensou em ter, descobriu desejos, possibilidades, prazeres, tudo antes apenas imaginado.
      E por vários e vários dias, enquanto o mágico príncipe passeava no seu lindo cavalo branco pelos campos de seu reino, como sempre fez, a donzela princesa ia se esconder do mundo e viver uma vida carnal, paralela, com seu amante de maus modos, bruto, sem pudor.
      Mas isso deixou de ser suficiente. O bárbaro, como não era de se estranhar, passou a cobrar mais da princesa, passou a querer ela por completo. Não aceitou mais vê-la passeando na frente de todos com o príncipe e lembrando-se das lindas horas que passavam juntos. Nesses momentos ele achava que tudo não passava de ilusão. Achava pouco para ele, que já conhecia muito da vida, e queria mais, muito mais.
      Enquanto isso, a princesa não podia fazer mais nada. Já fazia tudo o que estava em seu alcance. Jamais deixaria o conforto, a segurança, o carinho, a intelectualidade do galante príncipe pelo jeito bruto, sem escrúpulos, carnal, sedutor e experiente do homem que tanto lhe cobrava. 
      Os dias iam passando e as duvidas só faziam aumentar na cabeça daquela princesinha. Nada mais era como antes, nada mais seguia o caminho que se achava que devia seguir. Mas todos tinham que tomar uma decisão.
      Era pouco para o bruto bárbaro tê-la apenas escondido. Ele sempre queria mais, cobrava mais, pedia mais, queria mais tempo, queria mais momentos, mais situações. Vê-la todos os dias passeando publicamente com seu noivo não era nada bom. Ele não conseguia entender a que ponto os lindos olhos de sua amada se contradiziam. Ele não conseguia entender nada.
      Ele queria apenas fugir com sua amada, viver de amor e construir sua história a cada dia. Mas começou a perceber que não era isso que ela procurava. Para sua surpresa, ela estava completamente satisfeita em ter seus dois amores. 
      Mas como um homem que foi criado em um mundo machista, bruto, onde quem tem todo o poder e é dono de toda e qualquer situação é o homem, iria aceitar dividir seu grande amor, assim, pela vida toda? É pedir demais. É querer que ele não seja ele. E se ela for tudo o que sempre diz, é pedir que ela não seja ela. Para o bárbaro essa história teria que chegar a um final. Todo esse tempo vivendo essa aventura já tinha sido tempo demais.
      Ele pediu para que ela decidisse. Ela pediu um tempo.
      Na ultima conversa dos dois amantes, a princesinha foi fraca demais para seguir seu amante, ou forte demais para continuar com seu príncipe. Ela se mostrou feliz, solta, leve. Olhou para ele e disse: - Siga seu caminho, amor. 
      Qual seria o caminho daquele coração de pedras que agora estava em pedaços? Para onde ele deveria seguir? Para onde andar? O que dizer? O que pensar? Ela escolheu quem, afinal?
      Ninguém. Ela deixou que a crueldade dos dias, que a frieza das horas e a maldade do tempo massacrassem os sentimentos em duvida, raiva, ressentimento, arrependimento, procura de ego, e uma infinita procura de identidade.
      A princesinha seguiu sua vida como sempre foi. Olhando diariamente a janela do grande castelo com seus olhos brilhantes e apaixonantes. Talvez para seguir o futuro, talvez para passar o tempo, talvez para refletir sua vida, ou talvez para observar os corações bárbaros que passeavam pelo tempo e viver outra aventura de amor. Apenas outra aventura.
      E o bárbaro de coração partido também seguiu. Este pegou um caminho, uma estrada e voltou às suas origens, ao seu povo. Talvez porque ele não tenha conseguido encontrar sua identidade sozinho. Precisava ouvir de quem o conhecia quem ele realmente era. Tudo na sua vida havia mudado. Tudo. Seguir era necessário, amar novamente talvez fosse impossível.
      




Íkaro Murilo e Nascimento
07/04/2012

quarta-feira, 13 de março de 2013

Mais de mim

Eu sou feito de rotina. Dessa rotina que me corrói e me compõe. Dessa rotina que eu amo e odeio, que me faz sorrir e me entristece. Eu sou feito de um bocado de sonho, de desejos, de amores, de sorrisos, de olhares, de vontades. De sim e de não. De talvez também. De certezas e incertezas. De certezas incertas e de incertezas certas. De saber e não saber, de não saber sabendo mais. Sou feito um pedaço a cada dia, e esquecido também. A cada dia alguém me lembra e alguém me esquece. A cada dia eu lembro alguém e esqueço. Eu sou feito do céu. Ah, e também da lua. Da lua cheia, por favor. Sou feito de inconstância certa e certezas inconstantes.  Sou feito de sorrisos, de olhares, de toques. Sou feito de brilho, de sabores e medos. Sou feito de lágrimas e abraços. De partidas e partidas e chegadas. Mais partidas. Mais ausências. De saudades, de adeus, de despedidas. Sou feito do que escrevo, do que li, do que vi, do que já fiz e do que pensei. Sou feito de poucas companhias, de pouco entendimento e algum mistério. Sou feito de solidão, de disposição e de entusiasmos. Sou feito de calmarias, de domingos chuvosos e de abraços quentes. Sou feito de amigos, de alguma bebida e de alguma boa historia. Sou feito do sono leve, do sono breve, do sono calmo. Feito do vento quente, do sorriso ardente, do olhar falante. Sou feito de cafuné, um pouco de carência e uma pitada de drama. Sou feito também do calor. Do fogo. Da paixão. Sou feito de companhias insubstituíveis. De conversas intermináveis. Sou feito de prolongamentos. Daqueles que só se diz o principal na hora do fim, querendo que nunca acabe. Sou feito da hora, do tempo. Sou feito do dia que passa voando e dos dias que nunca vão embora. Sou feito de paciência e agonia. De tolerância e intolerância. De loucuras e maturidade. Sou feito de bonsais, de cactos, de irmãs mais novas, de avô-pai, de mãe-tudo. Sou feito de um sorriso grande. De um olhar pequeno. De um charme no lugar da beleza. Sou feito gente grande. Sou feito chato, meio emburrado e com cara de mal. Sou feito de quilômetros. De estradas. De escuros. De noites longas. De muitas viagens. Sou feito de muitos lugares. De muitas pessoas. Sou feito de diversas paisagens, diversos horizontes. Sou feito de cachorros e de pássaros. Sou feito de músicas, de textos, de histórias e estórias. Sou feito assim, meio misturado, meio metade. Assim, só assim.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Resumo das férias

- Apliquei soro anti-rábico nos lábios de um senhor, onde ele levou uma mordida de um cachorro. (Como diria um amigo de uma professora minha, eu não sei conversar. Apesar de curioso, não perguntei como o homem havia conseguido essa proeza de levar uma mordida nos lábios.)

- Sete pontos na mão direita de uma garotinha que sacrificou a mão para não machucar o rosto em uma queda de bicicleta.

- Primeira vez que vi uma Ultrassonografia Transvaginal ser realizada.

- Fui o segundo a ver a anatomia de um novo serzinho na barriga da mãe, com 21 semanas de gestação.

- Fui para o meu primeiro plantão noturno.

- Apliquei, pela primeira vez, uma Benzil P. Benzantina de 1.200.000 ui em um simpático homem que chegou embriagado  3:00 da manhã com um corte no braço no meu primeiro plantão noturno.

- Vi cuidarem de um senhor de 60 anos que foi brutalmente e injustamente queimado por alguém que, do nada, jogou gasolina e ateou fogo nele.

- Conversei, mesmo sem ter adiantado nada, com uma criancinha de 13 anos que ia parir seu primeiro filho, que foi gerado no momento de um abuso sexual, tentando convencê-la a deixar que os médicos tocassem nela para fazerem o parto. (A criança teve que ser sedada dois dias depois para ser realizada uma cesariana de urgência, caso contrário morreria ambos, mãe e filho, duas crianças, por ela não ter estrutura corporal para ter parto normal.)

- Atendi um senhor que levou 5 picadas de um escorpião que estava em sua calça de trabalho.

- Peguei uma amigdalite purulenta quando atendia alguns pacientes no hospital e passei dois dias com dores e mal estar, até tomar uma benzetacil e sentir o que o pobre bêbado sentiu algumas madrugadas antes.

- Conheci o tio de uma veterana minha onde eu menos poderia imaginar... Dando plantão comigo do outro lado do país.

- Acompanhei um atendimento a um homem que foi baleado nas costas, região patelar esquerda, e pude sentir quase todo o seu tórax cheio de ar e seus músculos flácidos e com a consistência de um pulmão, devido ao ar que escapou do pulmão para os músculos.

- Aprendi que em tudo existe burocracia e tudo exige burocracia. Sofri um pouco trabalhando na parte burocrática da saúde publica brasileira e sempre sorria baixinho, agradecendo por já saber que meu caminho não é por ali.

- Tive conversas que nunca pensei ter. Assumi posturas que jamais imaginei que assumiria. Vi uma parte minha que eu pensei que demoraria para chegar. Uma parte boa, que esclarece tudo, que explica sem pensar que está dando satisfação, que esclarece uma situação sem menosprezar quem quer que seja e que encara a vida como ela tem que ser encarada. Com um sorriso no rosto, coragem nas costas e amor no peito.

- Fui reconhecido pela primeira vez na rua por um dos pacientes que atendi no estagio e fiquei muito feliz e orgulhoso. "Foi o senhor que me atendeu outro dia no hospital, num foi, Doutor!?" Falou o homem sorridente que vinha em minha direção em um sábado ensolarado das ferias, já no ultimo final de semana. Sorri e já ia me identificando como o primo do medico que possivelmente teria atendido aquele homem, o que não seria de estranhar a confusão, já que dizem que pareço muito com o meu primo que também acompanhei nos estágios. O simpático homem nem deixou que eu me apresentasse quando mostrou a sutura que eu havia feito em seu braço, agora uma bonita cicatriz. "Foi o senhor sim, Doutor, eu lembro." Sorri de felicidade e depois tive um dos melhores dias das férias.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Hoje, pra você!

Hoje eu escrevo pra você! Pra você que me entende, que me escuta, que me apoia, que está do meu lado! Você que me abraça, que conhece a minha família, que me acolhe, que me enxerga, que caminha do meu lado. Você que me olha e me vê. Me vê de verdade, lá no fundo, na alma. Você que me aguenta, que me suporta, que gosta da minha companhia, que é agradável, sorridente, alegre, feliz. Você que caminha firme, me acompanha, me surpreende, me deixa feliz. Pra você que faz com que eu me sinta seguro, com que eu me sinta em casa, com que eu me sinta confortável. Pra você que sente saudade, que fala do futuro e tem pilares na esperança. Pra você que me faz querer ficar, que me faz sentir saudade, que faz o meu coração bater mais forte! Você que me conhece, que me aceita, que me abraça, que me ensina. Hoje, escrevo pra você, especialmente pra você! Hoje é pra você!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

À Voinho, com amor


      No começo do ano, em um momento extremamente delicado, eu escrevi um texto que falava de saudade. Hoje, graças a Deus, que sempre nos acompanha, e aos seus milagres em nossas vidas, eu venho falar de esperança. De esperança e de força.
      A situação a qual fomos postos já no começo deste ano não corroborava com a trajetória de vida de um homem tão forte, tão bom. Eu não conseguia entender como um homem com um passado aberto, feliz, correto, pudesse estar passando por algo tão cruel. Era incompreensível pra mim. Inadmissível. Por mais que eu tentasse, não conseguia entender porque um ser humano amável, de um coração bom, grande, pudesse estar passando por momentos tão difíceis.
      Em uma das minhas incansáveis tentativas de teorizar as práticas ou de tentar entender o incompreensível, mesmo com o frenquente sentimento de frustração ou me conformando com a simples ideia de que eu penso demais e que às vezes as coisas são assim, elas simplesmente acontecem, eu consegui encontrar uma razão para o que aconteceu com a nossa família.
      De tudo o que passamos até hoje, de tudo o que eu, particularmente, passei, e apesar de ter crescido vendo exemplos diários de força, coragem e determinação da minha mãe, Voinho era o nosso porto seguro. Sempre foi. Minha mãe nunca teve medo de enfrentar nada na vida, mas ela precisava de apoio. Apoio este que Voinho nunca negou.  Nele nós encontramos a fonte da força, do incentivo, da coragem e de toda vontade de seguir adiante.
      Acho que a frase que eu mais falei quando qualquer pessoa me perguntava pelo meu avô era: “Eu nunca imaginei ver Voinho passando por nada disso. Por um sofrimento tão grande.” Muitas vezes eu falava sem nem mesmo entender porque, mas depois consegui compreender tudo. Eu falava isso porque ele sempre foi a minha fonte de força. Sempre foi o meu espelho de coragem. O meu exemplo de determinação.
      E em 79 anos de vida, nada tão delicado havia acontecido para por em prova tudo o que ele representava. E a única explicação que eu encontrei para o que passamos, foi ele nos dar mais um exemplo. Foi mais um ensinamento que Voinho estava dando a cada um. Nunca desistir. Sempre ter força. Sempre se superar. Sempre se manter em pé. Sempre seguir. Foi isso que ficou pra mim depois que essa tempestade passou.
      Lembrando da fragilidade com que vi o meu avô na UTI e vendo ele hoje andando, comendo, brincando, eu posso afirmar com todas as letras: Este é o homem mais forte do mundo.
      E ele fez valer todas as viagens que fizemos de última hora para vê-lo. Saber que ele é forte e sempre foi muito forte nos dava força também para enfrentarmos tudo o que tínhamos que enfrentar. Ajudava-nos a suportar a barra. Vê-lo lutando pela vida e o seu amor por ela, nos fez refletir no valor que damos aos nossos pequenos e felizes momentos, aos detalhes que sempre nos fazem bem, ao nosso cotidiano que muitas vezes nos surpreende e nos faz sorrir nos momentos mais inesperados.
      Nos fez pensar na importância que estamos dando à nossa vida e a cada presença. Fez-nos ver e perceber o que realmente deve ser valorizado. Quanto custa um abraço? Quanto custa um sorriso? Quanto custa para um coração bater mais forte de felicidade? Quanto custa uma piscadela? Quanto custa uma amizade? Tudo o que é bom e faz a gente se sentir vivo, não custa nada. Não custa absolutamente nada. Aprendi isso também. Aprendi e vou levar comigo o simples fato de que não importa para onde eu estou indo, eu posso ir, eu devo ir, mas se algo me faz voltar, eu estarei de volta. Não importa quão longe eu for, se um abraço valer a pena o meu retorno, eu estarei de volta.
      A felicidade de chegar aqui nos Barreiros e saber que encontrarei o meu avô bem e feliz, é indescritível, é compensador, é reconfortante.
      Quantas vezes não perdemos as esperanças? Quantas vezes não pensamos que tudo iria dar errado? Quantas vezes não choramos por um fim que parecia tão eminente, mas que por milagre de Deus e amor pela vida não representou nada?
      Mas tudo valeu à pena. Sofremos, mas estamos mais fortes. Mais experientes, mais preparados. E a nossa luta ainda não terminou. Ainda temos muito para aprender, tanto para enfrentar. Mas estamos juntos. E lutaremos para continuarmos juntos.
      E hoje estamos aqui para agradecer e festejar. Agradecer a Deus por ter nos ajudado, por ter nos dado força para seguirmos nos momentos mais difíceis. E principalmente por ter mandado anjos para nos ajudar, anjos que fizeram com que tudo desse certo. Anjos que nos acolheram em suas casas, em seus apartamentos. Anjos que cuidaram de Voinho com mais atenção nos hospitais. Anjos que vieram nos visitar, dando apoio e palavras reconfortantes. Anjos que rezaram com amor pela recuperação de alguém tão importante em nossas vidas.
      E graças a tudo isso, graças a cada um de nós e a todos juntos, podemos estar aqui celebrando. Podemos estar hoje felizes, olhando para cada rosto e vendo felicidade, olhando para cada lágrima e vendo esperança, olhando para cada suspiro e vendo um futuro feliz. E mais uma vez eu digo obrigado. Obrigado Deus por ter nos permitido tanta felicidade, por ter permitido que tivéssemos um final de ano assim, cheio de amanhã. E obrigado Voinho. Obrigado por ter sido e por estar sendo forte e continuar conosco. Obrigado, muito obrigado.

*28/12/2012