quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

À Voinho, com amor


      No começo do ano, em um momento extremamente delicado, eu escrevi um texto que falava de saudade. Hoje, graças a Deus, que sempre nos acompanha, e aos seus milagres em nossas vidas, eu venho falar de esperança. De esperança e de força.
      A situação a qual fomos postos já no começo deste ano não corroborava com a trajetória de vida de um homem tão forte, tão bom. Eu não conseguia entender como um homem com um passado aberto, feliz, correto, pudesse estar passando por algo tão cruel. Era incompreensível pra mim. Inadmissível. Por mais que eu tentasse, não conseguia entender porque um ser humano amável, de um coração bom, grande, pudesse estar passando por momentos tão difíceis.
      Em uma das minhas incansáveis tentativas de teorizar as práticas ou de tentar entender o incompreensível, mesmo com o frenquente sentimento de frustração ou me conformando com a simples ideia de que eu penso demais e que às vezes as coisas são assim, elas simplesmente acontecem, eu consegui encontrar uma razão para o que aconteceu com a nossa família.
      De tudo o que passamos até hoje, de tudo o que eu, particularmente, passei, e apesar de ter crescido vendo exemplos diários de força, coragem e determinação da minha mãe, Voinho era o nosso porto seguro. Sempre foi. Minha mãe nunca teve medo de enfrentar nada na vida, mas ela precisava de apoio. Apoio este que Voinho nunca negou.  Nele nós encontramos a fonte da força, do incentivo, da coragem e de toda vontade de seguir adiante.
      Acho que a frase que eu mais falei quando qualquer pessoa me perguntava pelo meu avô era: “Eu nunca imaginei ver Voinho passando por nada disso. Por um sofrimento tão grande.” Muitas vezes eu falava sem nem mesmo entender porque, mas depois consegui compreender tudo. Eu falava isso porque ele sempre foi a minha fonte de força. Sempre foi o meu espelho de coragem. O meu exemplo de determinação.
      E em 79 anos de vida, nada tão delicado havia acontecido para por em prova tudo o que ele representava. E a única explicação que eu encontrei para o que passamos, foi ele nos dar mais um exemplo. Foi mais um ensinamento que Voinho estava dando a cada um. Nunca desistir. Sempre ter força. Sempre se superar. Sempre se manter em pé. Sempre seguir. Foi isso que ficou pra mim depois que essa tempestade passou.
      Lembrando da fragilidade com que vi o meu avô na UTI e vendo ele hoje andando, comendo, brincando, eu posso afirmar com todas as letras: Este é o homem mais forte do mundo.
      E ele fez valer todas as viagens que fizemos de última hora para vê-lo. Saber que ele é forte e sempre foi muito forte nos dava força também para enfrentarmos tudo o que tínhamos que enfrentar. Ajudava-nos a suportar a barra. Vê-lo lutando pela vida e o seu amor por ela, nos fez refletir no valor que damos aos nossos pequenos e felizes momentos, aos detalhes que sempre nos fazem bem, ao nosso cotidiano que muitas vezes nos surpreende e nos faz sorrir nos momentos mais inesperados.
      Nos fez pensar na importância que estamos dando à nossa vida e a cada presença. Fez-nos ver e perceber o que realmente deve ser valorizado. Quanto custa um abraço? Quanto custa um sorriso? Quanto custa para um coração bater mais forte de felicidade? Quanto custa uma piscadela? Quanto custa uma amizade? Tudo o que é bom e faz a gente se sentir vivo, não custa nada. Não custa absolutamente nada. Aprendi isso também. Aprendi e vou levar comigo o simples fato de que não importa para onde eu estou indo, eu posso ir, eu devo ir, mas se algo me faz voltar, eu estarei de volta. Não importa quão longe eu for, se um abraço valer a pena o meu retorno, eu estarei de volta.
      A felicidade de chegar aqui nos Barreiros e saber que encontrarei o meu avô bem e feliz, é indescritível, é compensador, é reconfortante.
      Quantas vezes não perdemos as esperanças? Quantas vezes não pensamos que tudo iria dar errado? Quantas vezes não choramos por um fim que parecia tão eminente, mas que por milagre de Deus e amor pela vida não representou nada?
      Mas tudo valeu à pena. Sofremos, mas estamos mais fortes. Mais experientes, mais preparados. E a nossa luta ainda não terminou. Ainda temos muito para aprender, tanto para enfrentar. Mas estamos juntos. E lutaremos para continuarmos juntos.
      E hoje estamos aqui para agradecer e festejar. Agradecer a Deus por ter nos ajudado, por ter nos dado força para seguirmos nos momentos mais difíceis. E principalmente por ter mandado anjos para nos ajudar, anjos que fizeram com que tudo desse certo. Anjos que nos acolheram em suas casas, em seus apartamentos. Anjos que cuidaram de Voinho com mais atenção nos hospitais. Anjos que vieram nos visitar, dando apoio e palavras reconfortantes. Anjos que rezaram com amor pela recuperação de alguém tão importante em nossas vidas.
      E graças a tudo isso, graças a cada um de nós e a todos juntos, podemos estar aqui celebrando. Podemos estar hoje felizes, olhando para cada rosto e vendo felicidade, olhando para cada lágrima e vendo esperança, olhando para cada suspiro e vendo um futuro feliz. E mais uma vez eu digo obrigado. Obrigado Deus por ter nos permitido tanta felicidade, por ter permitido que tivéssemos um final de ano assim, cheio de amanhã. E obrigado Voinho. Obrigado por ter sido e por estar sendo forte e continuar conosco. Obrigado, muito obrigado.

*28/12/2012

Nenhum comentário:

Postar um comentário