- Oi garoto. Nunca falha, em?
- Não posso, tenho que vender tudo.
- Hoje eu quero dois. Um de castanha pra mim e um de chocolate pra você. Você gosta desse de chocolate?
- Não sei, nunca comi.
- Coma um hoje garoto, coma.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Como uma peça de um quebra-cabeça
Uma fotografia da minha história.
- Meu Deus, quanto tempo...
- Mais do que a gente queria que tivesse passado. Sempre é assim.
- Ele já tem quantos anos?
- Três.
- Não pude ir ao seu casamento, me desculpe.
- Não tem problema, foi uma festinha simples. Eu já estava grávida.
- Pois é, eu soube. Muito bonito, seu filho. Qual o nome dele?
- É o nome de uma pessoa muito especial. Gosto dele e da pessoa que ele está se tornando. Quero que meu filho tenha muito mais que só o nome, quero que tenha o caráter também.
- Nossa, legal, né?
- Muito.
- Ah, pois está certo. Tenho que ir, minha tia está só me esperando pra gente voltar pro Ceará.
- Ta certo! Manda beijos pra ela e pra sua mãe. Ah, e boa sorte lá em Natal.
- Vocês namoraram quanto tempo?
- Três férias seguidas. Há cinco anos.
- Hum, ta certo, mas agora vamos rápido que tia Graça já está no carro.
- Ei... Qual o nome do filho dela, tu sabe?
- Murilo.
- Meu Deus, quanto tempo...
- Mais do que a gente queria que tivesse passado. Sempre é assim.
- Ele já tem quantos anos?
- Três.
- Não pude ir ao seu casamento, me desculpe.
- Não tem problema, foi uma festinha simples. Eu já estava grávida.
- Pois é, eu soube. Muito bonito, seu filho. Qual o nome dele?
- É o nome de uma pessoa muito especial. Gosto dele e da pessoa que ele está se tornando. Quero que meu filho tenha muito mais que só o nome, quero que tenha o caráter também.
- Nossa, legal, né?
- Muito.
- Ah, pois está certo. Tenho que ir, minha tia está só me esperando pra gente voltar pro Ceará.
- Ta certo! Manda beijos pra ela e pra sua mãe. Ah, e boa sorte lá em Natal.
- Vocês namoraram quanto tempo?
- Três férias seguidas. Há cinco anos.
- Hum, ta certo, mas agora vamos rápido que tia Graça já está no carro.
- Ei... Qual o nome do filho dela, tu sabe?
- Murilo.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Apenas um olhar
Eu não nasci pra leões, gatos e um bom dia seco e áspero. Eu nasci pros cachorros, pras aves e pros olhares que nos falam mais do que mil palavras. Não nasci pras ordens e pra vida prática e rápida. Nasci pras longas e intermináveis histórias contadas nas entrelinhas. Não nasci pra rotina e pra forma escrachada de se conversar. Nasci praqueles que entendem as coisas com rapidez, que pegam as coisas no ar. Nasci pras novas descobertas, pras mudanças repentinas, pro improviso. Nasci pros acordos, pras boas conversas. Conversas simples, singelas, sinceras, que te falam, que te fazem pensar. Eu não nasci pra olhar para um menino vendendo picolé na rua e enxergar apenas um menino vendendo picolé. Eu nasci pra ver além, pra enxergar, entes de tudo, uma fotografia, depois imaginar os pensamentos, a vida, o dia-a-dia, pra perder cinco minutos olhando pra estrada perdida na imensidão da vida daquele garoto. O que ele está fazendo ali? Quem ele será? Até que ponto os lindos dias dos singelos sete anos de idade andando sob o sol amargo e impiedoso tentando adoçar e esfriar um pouco a vida de tantos outros garotos vai influenciar a vida daquele alegre vendedor de picolé de pele negra e olhos verdes?
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