quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Não conte a ninguém

      Estava em uma confraternização com meus amigos da universidade e eu não soube responder uma das perguntas de uma dinâmica que fizemos, que era: “Qual o dia mais marcante de sua vida?”
      Na hora eu simplesmente não soube responder. Praticamente todos os meus amigos disseram que foi o dia que passaram no vestibular. Pra mim não foi. Realmente foi um dia feliz... Chorei, sorri, comemorei com as pessoas que gosto, mas não foi esse dia.
      Um dos meus amigos respondeu uma coisa diferente... Disse que foi um dia de 2010, quando ele não passou no vestibular. Essa sim foi uma resposta interessante. E eu fiquei com a minha dúvida. Escutei a resposta do meu companheiro na brincadeira, coloquei a pergunta embaixo do braço e fui pra casa...
      Hoje, dia 16/12, dois dias depois, oito e vinte da noite, em algum lugar no interior da Paraíba que eu não sei onde é, indo para o Ceará com o meu primo, a namorada dele e um amigo, mergulhado em memórias, pensamentos, lembranças e retrospectivas, ao som de uma música sertaneja qualquer, eu consegui responder à pergunta.
      Para a brincadeira não vale mais e talvez para nenhuma outra coisa, mas eu estou feliz por poder responder pra mim mesmo qual o dia mais marcante da minha vida...!
      Foi no dia 29 de Julho, na colação de grau da minha mãe. Naquele dia estávamos plenos de felicidade, eu e ela. Ela estava se formando com 48 anos, depois de cinco anos de luta, entrou no auditório do hotel onde foi a colação acompanhada por seu pai, com sua mãe e várias pessoas de sua família na platéia, torcendo, comemorando e chorando com ela; a sua filha mais velha estava perto de se formar também, no mesmo curso, o filho do meio havia conseguido ingressar na universidade há poucos dias e estava radiante de felicidade, estava começando a realizar um sonho, dele e dela. Três dias depois daquele ele ia começar o curso dos seus sonhos.
      Já eu, também estava pleno. Via minha mãe na conquista de um dos seus maiores desafios, colando grau em seu curso, depois de cinco anos de lutas diárias, entrando no auditório do hotel onde seria a colação acompanhada pelo meu avô, o homem que mais amo, que mais respeito, admiro... Meu ponto de referência, quem eu quero ser quando eu crescer.
      No ápice do dia, eu estava em pé na escada que fica no meio do auditório. Tudo estava lindo. A iluminação, as flores, os sorrisos, as lagrimas, as cores. Na minha memória passava um filme. Todos os dias que havíamos vivido até aquele momento, todos os sonhos, os desafios, tudo o que eu havia pensado sobre aquele dia. Exatamente aquele. Entre uma lágrima e outra, eu conseguia registrar alguns minutos daquele dia, às vezes olhava para os olhos brilhantes e a seriedade do meu avô, à vezes para as lágrimas da minha irmã, às vezes pros sorrisos da minha mãe...
      Naquele dia, exatamente naquele momento, eu estava pleno. Totalmente. Estava feliz. Estava com planos, sonhos, expectativas, desejos. Estava rodeado daquelas pessoas que mais amo. Exatamente daquelas. E todos estávamos felizes. Eu conseguia ver, naqueles rápidos e prazerosos minutos, a felicidade de todos. A realização de um sonho, a construção de vários outros. O fim de uma vida sofrida, amarga e o início de uma vida boa, mágica, feliz, com novos objetivos, novas metas, novos horizontes.
      O divisor de águas. Aqueles foram os minutos que Deus levou para passar a página da história de nossas vidas, foi os minutos que Ele levou para tirar de nossas vidas a folha desgastada, rabiscada, marcada por lágrimas e nos colocar diante de uma folha limpa, em branco, onde iríamos começar a escrever a nossa nova etapa de vida.
      Foi aquele, o dia mais marcante da minha vida.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Amigas

    Sabe qual o pior lado de ter amigas mulheres?
      É aguentar comentários do tipo: “Aaah, hoje fulaninho tava tão lindo, tão legal. Ele veio falar comigo e me abraçou, beijou minha mão, me chamou pra ir pro cinema...”
      Ou então você receber ligações de madrugada mais ou menos assim: “Oi, boa noite!” “Oi, boa.” “Você já estava dormindo?” “Nada, tava só dando uma cochilada... Tá cedo ainda, né?” “Ah, ta sim. 3hs da manhã ainda. Liguei só pra te atualizar sobre o fulano. A gente passou a noite conversando no face, e ele ainda me ligou... Foi tão lindo! Me chamou pra ir a praia amanhã de manhã e pra festa de noite, o que você acha?? Eu vou ou não? To tão nervosa. Já disse que ia, fiz mal?”

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

sábado, 26 de novembro de 2011

O roubador de ideias


      Eu já conhecia o roubador de ideias há algum tempo, já sabia que ele havia colocado sua profissão em prática algumas vezes, mas seus furtos anteriores não haviam me chamado atenção e nem eram dignos de serem lembrados. Porém, esse eu sou obrigado a lembrar, sou obrigado a destacar, pois é de suma importância para mim. Uma ideia roubada que me trouxe várias outras ideias.
      Conheci o roubador de ideias no último ano do ensino médio. A minha primeira impressão sobre ele foi a pior possível. Eu não podia ao menos ouvir seu nome que me sentia muito incomodado, mas essa primeira impressão foi destruída e um novo conceito nasceu em mim no decorrer dos longos dias referentes aos primeiros seis meses daquele ano.
      Após ter conquistado todos os meus colegas e amigos, ele, com todas as suas façanhas e performances de um verdadeiro e profissional ladrão, se aproximou de mim. Com sua atuação profissional, ele não só se tornou meu amigo, mas o melhor deles. Em pouquíssimo tempo eu confiava nele como em nenhum outro amigo cuja história de amizade era longa e sólida.
      Fazia com ele viagens, em sonhos, pensamentos e livros, que antes eu me sentia deprimido e melancólico ao fazê-las sozinho. Pensava que nunca encontraria uma pessoa que pudesse me acompanhar nessas viagens, mas, em um dos seus raros momentos de sinceridade no seu árduo trabalho de roubar ideias, ele se juntou a mim e viajou, por diversas vezes, em sonhos impossíveis, pensamentos mirabolantes e livros mágicos.
      Em uma incrível e entediante quarta-feira, na aula mais mágica e indesejável, eu estava distante, viajando pelos mais longínquos e inacreditáveis pensamentos, que me levavam em diversos lugares, principalmente para o nada. Nessa minha magnífica viagem no mundo dos pensamentos, enquanto minha querida e adorável professora ministrava sua cativante aula e os alunos dormiam, conversavam ou viajavam, como eu... O quê? Não acredito! Quem? Eu? Ah! Que mágico! Uma ideia. Eu tive uma ideia no momento mais inesperado e inimaginável.
      Mas, o que fazer com uma ideia novíssima e tão inovadora? Claro, o óbvio. Contar a uma pessoa de confiança. Contar ao meu melhor amigo para que, juntos, pudéssemos colocá-la em prática. Em meio a risos de felicidade e suspiros de orgulho, eu esperei a aula terminar para contar ao meu melhor amigo uma ideia maluca que havia acabado de florescer na minha mente. Ao toque do final da aula, eu corri, chamei-o para um lugar reservado na sala e contei-lhe minha tresloucada ideia:
      - Um livro!
      - O quê?
      - Sim, claro! Um livro.
      - Mas...
      - Não, sem mais nem menos. Vamos escrever um livro. Eu escrevo o meu, você escreve o seu e depois cada um mostra o resultado ao outro.
      - É... Ta certo! Mas escrever sobre o quê? Livro é coisa séria.
      - Ah! Sei lá, depois a gente pensa. Combinado?
      - Combinado!
      Eu já conhecia vários de seus furtos, até mesmo já havia sido vítima de alguns, mas essa ideia ele não podia roubar, essa, o roubador de ideias seria incapaz de roubar.
      No dia da minha aula favorita, após dois longos dias de espera e ansiedade para contar à minha professora de redação minha mais nova, brilhante e inusitada ideia, algo raro ocorreu, eu me distraí e não a contei no início da aula, quando me dei conta de que a professora já estava na sala o roubador de ideia vem até mim e fala:
      - Eu contei.
      - O quê?
      - Sobre o livro, à professora.
      - Ah, sem graça. Eu queria contar. Ela iria adorar saber que eu quero escrever um livro. Mas tem nada, não. Você disse que a ideia era minha?
      Antes mesmo que ele raciocinasse e pensasse em uma resposta, nossa professora veio até ele e disse:
      - Incrível sua ideia de escrever um livro. Achei maravilhosa. Pouquíssimos alunos meus têm tamanho interesse em minha matéria a ponto de se envolver tanto com os assuntos dados em sala. Você está de parabéns.
      - Obrigado, professora! – disse o roubador de ideias, com uma expressão cínica e cheia de satisfação que enchia seu rosto, por mais um sucesso em seus furtos.
      Depois desse breve diálogo, a professora saiu de onde estávamos e foi iniciar a aula. Um misto de sentimentos me invadiu e me dominou naquele momento e, vez por outra, eu ouvia alguns risos discretos vindos da carteira posterior à minha, a do roubador de ideias, o que aumentava ainda mais a minha raiva. Mas eu não podia iniciar uma discussão na hora da aula, jamais poderia atrapalhar a aula para reivindicar, diante de todos, os direitos sobre minha ideia roubada. No mínimo eu seria expulso de sala e ridicularizado por iniciar uma briga, por atrapalhar a ordem da sala e testar a moral da professora em um rígido colégio de freiras. Tinha que me segurar e esperar, friamente, o término da aula, ouvindo as discretas gargalhadas do roubador de ideias.
      Quando, finalmente, a aula terminou, levantei-me e comecei a expulsar todos os sentimentos que me perturbaram durante a aula:
      - Seu covarde! Nunca imaginei que você, logo você, seria capaz de fazer isso comigo. Amigo da onça! Você não é meu amigo, nunca foi. Você é amigo da onça! – eu gritava e falava coisas que nunca, antes, pensei dizer a ele.
      - O que eu fiz? – perguntava como se fosse uma vítima de um louco ataque de histeria.
      - O que você fez? Cínico! Você é cínico, covarde e amigo da onça!
      Alguns amigos nossos já haviam nos rodeado para saber o que se passava e a causa dos meus insultos:
      - O que está acontecendo aqui? – perguntou um amigo.
      - Esse covarde me roubou. Disse à professora que ele havia tido uma ideia que, na realidade, era minha. – respondi mais calmamente.
      O roubador de ideias, usando algumas de suas façanhas para escapar da denúncia falou:
      - Se você quiser a gente a procura e eu digo que a ideia era sua.
      - Ela nunca vai acreditar. Vai pensar que você está sendo amigo ao compartilhar suas ideias. – falei decepcionado e triste.
      - Nada disso!
      - Você é um ladrão. Um roubador de ideias. Espera um pouco...
      - O que foi? – perguntou.
      Toda aquela discussão havia me dado criatividade. Eu tive uma ideia que completava perfeitamente a anterior.
      - Eu tive uma ideia. Vou escrever sobre você, claro! O roubador de ideias. Eu não sabia o que escrever, mas agora eu sei. Vou escrever um conto ou quem sabe até mesmo um livro.
      Ele ficou espantado ao notar minha incrível rapidez para criar e, ao mesmo tempo, decepcionado por não poder roubar aquela ideia, por não conhecer nenhum roubador de ideias que o inspire mais que o roube. E eu fiquei feliz por saber que ele era meu melhor amigo até nos momentos que não queria ser.




                

                     





Ao meu melhor amigo, Gustavo Soares de Alencar.













Íkaro Murilo e Nascimento
09/07/2009

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Paixão


Os dias passam. As músicas tocam. O céu brilha. Os pássaros voam. Os amores vêm. E vão.
E comigo tudo é assim, tão rápido. 
Que me deixa assim, tão bobo. 
Que eu penso assim, estou feliz. 
E paro e digo assim, estou gostando. 
Mas quando vejo, simples assim, já passou.

sábado, 12 de novembro de 2011

Às vezes


Às vezes me falta caneta.
Às vezes me falta papel.
Às vezes me faltam palavras.
Às vezes me falta um pensamento.
Às vezes me falta tempo.
Às vezes me falta tudo.
Às vezes não me falta nada.
Às vezes me falta atenção.
Às vezes me falta carinho.
Às vezes me falta paciência.
Às vezes me falta tudo.
Às vezes não me falta nada.
Às vezes me falta um oi.
Às vezes me falta um abraço.
Às vezes me falta um olhar.
Às vezes me falta uma pergunta.
Às vezes me falta tudo.
Às vezes não me falta nada.
E eu vou seguindo com minha condição humana,
E o seu eterno vazio interior.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

NOTA

      Querida amiga psicóloga, saiba que eu estou sofrendo muito com o seu desafio. Por muitos momentos já pensei em desistir de muitas coisas, mas não o faço por causa do seu lindo desafio que está me atormentando nos últimos dias. Você deveria ter se explicado melhor quando disse: “Cuidado que os desafios de psicólogos são difíceis...”
      Agora, sua linda, a curiosidade é apenas pra compartilhar um pouquinho com você o meu sofrimento.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Meus anjos

      Sempre a gente ouve falar que Deus nunca nos deixa sozinhos, nunca nos abandona. Às vezes, não raramente, chegamos a duvidar. As coisas que somos obrigados a enfrentar são tão amargas que pensamos, principalmente nesses momentos, que estamos sozinhos, sem o auxílio do nosso Pai tão querido.
      Porém, é incrível como Ele escolhe as melhores formas de nos ensinar alguma coisa e nos mostrar que não estamos sozinhos. Hoje, depois de muitos momentos difíceis, quando me deparo com algum desafio, me pergunto: “O que eu tenho que aprender agora?” E eu sempre aprendo alguma coisa. E se a dificuldade voltar, é porque aprendi a coisa errada, ou estou cometendo o mesmo erro.
      É sofrível, é estressante, é chato, é doloroso. Mas o ensinamento é muito gratificante. Sempre. E quando Deus percebe que a gente não está entendendo tão bem as suas ações, ou indo para um caminho diferente, Ele manda seus anjos para nos guiar, nos consolar, nos acolher, nos proteger, nos acalentar.
      Meus anjos vieram. E com formas humanas. Lindas. Amáveis. Acolhedoras. Gentis. Simples. Sorridentes. Brilhantes.
      E quando eu acordo, e quando eu as vejo, e quando eu converso, e quando eu desabafo, e quando eu me sinto amigo, e quando eu me sinto amado, e quando eu me sinto seguro, eu sei que Deus está comigo, que Deus não me esqueceu, que Deus mandou elas para cuidarem de mim.
      Eu sinto que é Ele que está ali, comigo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Palavras

As palavras me emocionam muito. E a alegria também. Normalmente não fico emocionado com as coisas ruins da vida. Mas a felicidade e os momentos felizes mexem muito comigo. Já as palavras, as escritas, pra ser sincero, Silvana Duboc resumiu perfeitamente o que eu penso sobre elas.

As palavras sempre ficam.
Se me disseres que me amas, acreditarei. Mas se me escreveres que me amas, acreditarei ainda mais.
Se me falares da tua saudade, entenderei. Mas se escreveres sobre ela, eu a sentirei junto contigo.
Se a tristeza vier a te consumir e me contares, eu saberei. Mas se a descreveres no papel, o seu peso será menor.
Lembre-se sempre do poder das palavras. Quem escreve constrói um castelo, e quem lê passa a habitá-lo.

Silvana Duboc

Pensamento


      Hoje eu acordei querendo ver as estrelas. É incrível como você se sente seguro quando olha para o céu. Tão grande. Tão bonito. Tão protetor. Acordei querendo ver o mar de estrelas iluminado pelo extenuante brilho da lua. Acordei querendo ficar horas deitado na grama, olhando pro céu, pensando na vida. Ou mesmo sem pensar em nada. Queria apenas olhar.
      Queria apenas me sentir seguro.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Reflexão

      Eu falo demais. Tenho certeza que falo demais. Às vezes acho que termino sem ouvir as pessoas, ou as lindas e longas histórias que elas têm pra contar. Ontem fui dormir mais de uma hora da manhã ouvindo a emocionante história de uma grande amiga. E foi incrível. E eu não sei como consegui fazer isso. Todas as vezes que consigo ouvir as outras pessoas, entendê-las, amá-las, eu sempre adoro, sempre acho o máximo. Mas isso raramente acontece.
      Depois de um tempo eu pensei que esse vai ser o pior lado dessa minha nova etapa de vida. Com quem eu vou ficar conversando até uma hora da manhã em pleno domingo sem preocupação nenhuma?
      Falar é fácil. Só quero ver você parar pra ouvir.