Estava em uma confraternização com meus amigos da universidade e eu não soube responder uma das perguntas de uma dinâmica que fizemos, que era: “Qual o dia mais marcante de sua vida?”
Na hora eu simplesmente não soube responder. Praticamente todos os meus amigos disseram que foi o dia que passaram no vestibular. Pra mim não foi. Realmente foi um dia feliz... Chorei, sorri, comemorei com as pessoas que gosto, mas não foi esse dia.
Um dos meus amigos respondeu uma coisa diferente... Disse que foi um dia de 2010, quando ele não passou no vestibular. Essa sim foi uma resposta interessante. E eu fiquei com a minha dúvida. Escutei a resposta do meu companheiro na brincadeira, coloquei a pergunta embaixo do braço e fui pra casa...
Hoje, dia 16/12, dois dias depois, oito e vinte da noite, em algum lugar no interior da Paraíba que eu não sei onde é, indo para o Ceará com o meu primo, a namorada dele e um amigo, mergulhado em memórias, pensamentos, lembranças e retrospectivas, ao som de uma música sertaneja qualquer, eu consegui responder à pergunta.
Para a brincadeira não vale mais e talvez para nenhuma outra coisa, mas eu estou feliz por poder responder pra mim mesmo qual o dia mais marcante da minha vida...!
Foi no dia 29 de Julho, na colação de grau da minha mãe. Naquele dia estávamos plenos de felicidade, eu e ela. Ela estava se formando com 48 anos, depois de cinco anos de luta, entrou no auditório do hotel onde foi a colação acompanhada por seu pai, com sua mãe e várias pessoas de sua família na platéia, torcendo, comemorando e chorando com ela; a sua filha mais velha estava perto de se formar também, no mesmo curso, o filho do meio havia conseguido ingressar na universidade há poucos dias e estava radiante de felicidade, estava começando a realizar um sonho, dele e dela. Três dias depois daquele ele ia começar o curso dos seus sonhos.
Já eu, também estava pleno. Via minha mãe na conquista de um dos seus maiores desafios, colando grau em seu curso, depois de cinco anos de lutas diárias, entrando no auditório do hotel onde seria a colação acompanhada pelo meu avô, o homem que mais amo, que mais respeito, admiro... Meu ponto de referência, quem eu quero ser quando eu crescer.
No ápice do dia, eu estava em pé na escada que fica no meio do auditório. Tudo estava lindo. A iluminação, as flores, os sorrisos, as lagrimas, as cores. Na minha memória passava um filme. Todos os dias que havíamos vivido até aquele momento, todos os sonhos, os desafios, tudo o que eu havia pensado sobre aquele dia. Exatamente aquele. Entre uma lágrima e outra, eu conseguia registrar alguns minutos daquele dia, às vezes olhava para os olhos brilhantes e a seriedade do meu avô, à vezes para as lágrimas da minha irmã, às vezes pros sorrisos da minha mãe...
Naquele dia, exatamente naquele momento, eu estava pleno. Totalmente. Estava feliz. Estava com planos, sonhos, expectativas, desejos. Estava rodeado daquelas pessoas que mais amo. Exatamente daquelas. E todos estávamos felizes. Eu conseguia ver, naqueles rápidos e prazerosos minutos, a felicidade de todos. A realização de um sonho, a construção de vários outros. O fim de uma vida sofrida, amarga e o início de uma vida boa, mágica, feliz, com novos objetivos, novas metas, novos horizontes.
O divisor de águas. Aqueles foram os minutos que Deus levou para passar a página da história de nossas vidas, foi os minutos que Ele levou para tirar de nossas vidas a folha desgastada, rabiscada, marcada por lágrimas e nos colocar diante de uma folha limpa, em branco, onde iríamos começar a escrever a nossa nova etapa de vida.
Foi aquele, o dia mais marcante da minha vida.




