sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Homem não chora

Homem não chora
nem por ter
nem por perder
lágrimas são água
caem do meu queixo
e secam sem tocar o chão
e só porque você me viu
cair em contradição
dormindo em sua mão
não vai fazer
a chuva passar
o mundo ficar
no mesmo lugar

Meu rosto vermelho e molhado
e só dos olhos pra fora
todo mundo sabe
que homem não chora

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

(...)

      Há um motivo para eu dizer que seria mais feliz sozinho. Não foi porque eu pensei que seria mais feliz sozinho. Foi porque eu pensei que se eu amasse alguém, e depois acabasse, talvez eu não conseguisse sobreviver. É mais fácil ficar sozinho. 
      Porque... E se você descobrir que precisa de amor? E depois você não tem? E se você gostar? E depender dele? E se você moldar sua vida em torno dele? E então... Ele acaba!
      Você consegue sobreviver a essa dor? Perder um amor é como perder um órgão. É como morrer. A única diferença é: a morte termina. 
      Isso... Pode continuar pra sempre.


                                                                                                           Grey's Anatomy

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

João e Maria


       Era uma vez... É, eu podia começar a nossa história com “era uma vez...”, mas essa história não se parece nem um pouco com os famosos contos de fadas da nossa infância. É a história de um casal extremamente apaixonado, porém, como nem tudo é perfeito, com um amor inusitado, muito difícil de ser vivido.
      Essa é a linda história de amor de João e Maria. João sempre foi um rapaz descolado, com muitos amigos e que raramente ficava sozinho. Conquistava as pessoas com muita facilidade, possuía um coração bom, mas que dificilmente se entregava em qualquer relação. Na única vez que havia se apaixonado tinham destroçado seus sentimentos, e essas marcas viraram cicatrizes da alma, dificultando qualquer outro tipo de relação amorosa por alguns anos. É, por apenas alguns anos.
      Maria era aquela menina extremamente apaixonada. Vivia sempre no mundo dos sonhos e dos amores. Namorava a mais de cinco anos o mesmo rapaz e seu amor por ele só aumentava a cada dia. Certo, pelo menos por um tempo. Porém, nossa querida Maria adorava estar acompanhada e o seu namorado foi tudo o que ela sempre quis.
      Os nossos pombinhos não se conheciam ainda. Moravam em lugares muito distantes e suas rotinas jamais haviam se cruzado até então. E foi aí que o cupido mais atrapalhado do universo resolveu aprontar com os corações dos nossos protagonistas.
      Maria continuou vivendo seu conto de fadas, enquanto João mudou radicalmente sua vida sem ter nenhum motivo aparente. É o destino, meus amigos, o destino. A partir desse momento eles estudavam no mesmo colégio. Pelo menos agora podiam se encontrar e trocar olhares para, finalmente, podermos diminuir nossa curiosidade, sabendo um pouco dessa história.
      Em uma tarde ensolarada, enquanto Maria estudava angelicalmente na biblioteca do colégio, um rapaz grandalhão e com cara de mauricinho entrou e, diante de centenas de pessoas, só conseguiu olhar para uma delas. Foi amor à primeira vista. Ficou muito desconcertado, e naquela tarde não conseguiu estudar nada. Foi embora querendo saber mais sobre a misteriosa garota, querendo conhecê-la e se aproximar dela.
      Por alguns dias ele comentou o ocorrido com um amigo influente que, rapidamente, tratou de encontrar a garota para poder ver seu amigo feliz, depois de muitos anos de solidão afetiva.
      Mas o que nenhum dos dois sabia era que a garota também havia sentido algo muito forte pelo novo mauricinho do colégio, deixando-a extremamente balançada com sua relação e com alguns questionamentos que antes não existiam.
      No dia do primeiro encontro a magia estava tão perceptível no ambiente que comovia qualquer pessoa que os rodeasse. Os olhares eram tão intensos e sinceros que pareciam hipnotizados.
      - Oi, eu sou João.
      - Oi, eu sou Maria.
      Foram as únicas coisas que conseguiram falar naquele momento. As únicas palavras que saiam de suas bocas, que eram produzidas em seus pensamentos, naqueles quinze ou vinte minutos de fascinação.
      Depois que João descobriu que Maria estava namorando a mais de cinco anos, ao contrário de qualquer pessoa normal, ele não ficou intimidado ou desanimado. O fato de ela estar namorando aumentou ainda mais a vontade de aproximação, o desejo de tê-la.
      Foi aí que começaram os incansáveis ritos da conquista. Porém, para ele, não seria tão difícil. Os maiores desafios seriam os dogmas, os paradigmas e os conceitos da nossa querida Maria.
      As longas semanas que antecederam o primeiro encontro afetivo foram movimentadas não só para o casal de pombinhos, mas para todos em sua volta, em especial os amigos que conseguiram juntá-los.
      O primeiro beijo era inevitável. Havia tanta paixão entre os dois que nenhum empecilho exterior seria capaz de impedir a realização desse momento intimo. Após o primeiro, vieram muitos outros.
      E foi a partir desse dia que os amantes João e Maria começaram a viver o seu amor. Mesmo Maria namorando, mesmo com muitas pessoas julgando o casal, o amor dos dois era mais bonito do que qualquer outro amor tradicional.
      Vendo tanta química, tanto carinho e tanta paixão, depois de três meses de relacionamento, Maria decidiu terminar o seu namoro para poder, finalmente, viver seu amor proibido. No dia que Maria trouxe a notícia do fim do namoro para João, tudo estava diferente. Eles não se sentiam mais os mesmos, não eram mais os mesmos.
      O amor havia acabado...
      Diante dessa situação não havia mais nada a se fazer. Decidiram se afastar e cada um, daquele momento em diante, iria viver sua vida independente um do outro. Achavam que sua história havia durado tempo bastante para ser inesquecível. Não choraram, não sentiram remorso, apenas se despediram com um aperto de mão.
      Depois de um ano eles se encontraram novamente nas esquinas da vida.
      - Oi Maria, tudo bem?
      - Nossa, João, quanto tempo?!
      - Pois é! Como você está? Como está sua vida?
      - Eu continuo na mesma, estou sozinha e me dedicando aos estudos, mas, e você?
      - Depois que nos separamos, encontrei uma pessoa muito especial, estamos juntos há quase um ano.
      O ambiente ficou estranho. Algo havia mudado neles novamente. Maria não era mais a mesma. Até João tinha percebido a súbita mudança nos dois.
      O amor havia recomeçado...
      Após algumas horas daquele momento ímpar os nossos pombinhos estavam, novamente, vivendo seus amores impossíveis. Trocavam carícias, palavras apaixonadas, promessas e juras de amor.
      Dessa vez tudo seria diferente. Dessa vez eles seriam felizes, ficariam juntos, enfrentariam qualquer desafio, enfrentariam tudo e todos para serem, de uma vez por todas, felizes. O namoro de João, igualmente ao de Maria em outros tempos, não seria empecilho de nada. Estavam maduros e haviam aprendido com a experiência anterior.
      Viveram seis meses apaixonados quando João se sentiu seguro em terminar seu namoro para viver com Maria. Não iriam cometer os mesmos erros, ele não era mais uma criança imatura, era um homem que estava decidido a ser feliz. Estava pronto para ter seu final feliz com o grande amor de sua vida.
      No dia que João decidiu falar para Maria sobre o término do seu namoro, eles não eram mais os mesmos. Haviam mudado, e dessa vez de uma forma radical. Tiveram a primeira briga.
      O amor havia acabado...
      Mas em uma coisa eles estavam certos. Dessa vez eles haviam amadurecido, haviam aprendido com as experiências anteriores. Despediram-se mais uma vez e foram viver suas vidas, novamente separados.
      Depois de alguns meses Maria resolve ligar para João.
      - Alô? João?
      - Oi. Quem é? Maria? É você?
      - João, eu estou namorando.
      - Eu também.
      E começaram mais uma vez a viver o seu amor impossível. Estavam mais envolvidos, mais amantes, mais intensos e, dessa vez, não cometeriam o mesmo erro de antes.
      Depois de anos de relacionamento, estando a cada dia mais apaixonados, Maria resolve se casar. Não havia outra pessoa no mundo melhor para atestar esse momento e viver com ela tamanha felicidade. Não hesitou e convidou João para ser seu padrinho de casamento.
      Alguns anos se passaram e João também se sentiu preparado para dar um passo maior em sua vida. Também decidiu se casar e não pensou duas vezes antes de convidar o grande amor de sua vida para estar ao seu lado nesse momento. Maria foi a madrinha mais bonita de todos os tempos.
      E assim os nossos pombinhos conseguiram viver o amor mais puro e sincero de toda a história da humanidade e conseguiram ser felizes para sempre. Eles haviam aprendido.










Íkaro Murilo e Nascimento
13/05/2011