domingo, 29 de abril de 2012

Meu herói

      No dia 12 de maio de 1933 nasceu um herói. Não desses de contos de fadas ou de histórias de quadrinhos, mas um herói de verdade, da vida real. Um homem que, por ser tão bom, se transformou em um herói para a vida toda, um herói para várias gerações, meu herói. Um homem simples, sincero, amável, responsável, que sempre ensinou pelo exemplo e dando muito carinho. Um homem forte, tão forte que conseguiu entrar e seguir na vida com honra, coragem, respeito e amor, principalmente amor. 
      Hoje o que eu sinto é saudade. Saudade do homem que me ensinou valores, me ensinou a ser um homem, a ser quem eu sou hoje, a ser quem eu serei amanhã. Lembro de quando eu era criança e andava sempre com ele para todo canto. Isso me fazia tão bem... Eu me sentia a criança mais protegida do mundo. E tinha orgulho, sempre tive orgulho, de dizer para quem quer que fosse que eu era o neto dele. Que eu era um membro da família daquele homem tão bom.
      Lembro agora do dia que me perdi quando era criança e a única coisa que fiz, além de chorar, foi me esconder perto de um poste e esperar. Voinho sempre me passou tanta proteção, sempre me transmitiu tanta segurança, que eu tinha absoluta certeza que ele não me deixaria ali. Lembro também dos ensinamentos. Tantos. Tão sinceros. Um dia ele me disse, em seus 70 anos ou mais, que ainda não sabia dirigir e que tinha muito o que aprender ainda. Algumas pessoas talvez não ligassem para isso, mas eu fiquei pensando... Como o homem que eu conhecia como o melhor motorista de todos me diz que depois de mais de quarenta anos dirigindo ainda não sabia dirigir? Nesse dia ele me ensinou a ter humildade. Outro dia um amigo dele disse em uma conversa que não amava ninguém. Ele parou, sorriu e disse: - Homem, homem, se eu disser hoje, depois de mais de 50 anos casado com minha velhinha, que não amo ninguém, eu vou ser um mentiroso. Nesse dia ele me ensinou a sempre valorizar o que temos e a pensar bastante antes de falar alguma coisa.
      E sempre foi assim. Talvez nem ele mesmo percebesse, mas a cada conversa, a cada minuto juntos, ele sempre me ensinava alguma coisa, sempre. E em coisas tão pequenas, em detalhes que muitas vezes passavam despercebidos, eu ia juntando os ensinamentos, e juntando cada coisa que acontecia com a gente eu fui formando meus conceitos, meus dogmas, meu caráter.
     Nunca vi ninguém chegar perto dele com algum problema e sair com as mãos abanando... Sempre levava alguma coisa. A solução do problema, uma boa história contada como exemplo, um ensinamento ou até mesmo uma bronca. Mas tudo com a sabedoria eterna de quem aprendeu muito com a vida e de quem sempre soube perceber seus erros, aprender com eles e transmiti-los com aquela sabedoria almejada por todos os que tem objetivos na vida e que querem um dia conquistá-los.
       Nunca deixei de dizer nada para ele, nunca deixei de expressar meus sentimentos e também nunca tive vergonha de dizer: - Voinho, eu te amo. Mas ainda tenho tanto a dizer. Ainda tenho tanto a agradecer. Ainda quero dizer Voinho, eu amo o senhor, respeito, admiro, entendo. Quero ser como o senhor sempre foi. Quero, um dia, ter o equilíbrio que o senhor sempre teve a vida toda. Quero amar meus filhos como o senhor amou os seus, quero criá-los com o mesmo carinho, com a mesma paciência. Quero que o meu amor por eles seja tão grande, que eu seja capaz de amar meus netos como filhos, igual o senhor fez. Quero sempre valorizar as crianças, brincar com elas, ter a paciência que o senhor teve com todas e aprender a valorizar um sorriso sincero de uma criança, como o senhor. Quero construir tudo na minha vida e focar nos meus sonhos, como o senhor sempre fez. Quero sempre andar de carro ouvindo músicas, aproveitando uma companhia e sentindo o vento entrar forte nas janelas abertas. Quero valorizar tudo o que tenho e valorizar as coisas dos outros também. Quero entender o valor de uma amizade e levá-la comigo para sempre. Quero sorrir das coisas da vida e procurar entender os meus problemas e os problemas dos outros. Quero ser mais paciente e andar com calma, firme, sempre em frente. Quero aprender a dividir minhas coisas e a pensar no outro, como o senhor sempre fez e me disse que era o certo.
      Mas quero, principalmente, agradecer. Quero agradecer por tudo, por absolutamente tudo. Obrigado por sempre ter ficado do nosso lado, entendendo nossos problemas e nos apoiando. Obrigado pelos incentivos. Obrigado por ter me ensinado a dirigir. Obrigado por ter me ensinado a gostar de musicas, a ser humilde, a sorrir de coisas simples. Obrigado por sempre ter sido meu amigo. Obrigado por ter me ajudado sempre que precisei, mesmo sem que eu pedisse ajuda. Obrigado por ter me mostrado, diversas vezes, o caminho certo a seguir. Obrigado por ter sido o principal motivador na maioria das minhas decisões. Obrigado por ter sido, sempre, o mais certo das horas incertas. É muito bom saber que eu tenho e sempre tive um grande amigo. Obrigado, Voinho, obrigado.
      Sem o senhor meus dias dos pais nunca mais serão os mesmos. E o que eu tenho a fazer são perguntas. Quem vai me dar, orgulhoso, o chapéu novo para eu ir estiloso para a cavalgada? Quem vai aceitar trocar comigo uma vaca por um cachorro? Quem vai andar comigo de carro e ficar orgulhoso toda vez que eu dirigir bem? Quem vai me ligar no domingo cobrando minhas ligações ou reclamar dizendo que estou sumido e nunca mais liguei? Quem vai ficar sorridente e feliz quando ganhar um simples CD meu nas férias? Com quem eu vou ouvir Roberto Carlos enquanto dirijo? Para quem eu vou ter o maior orgulho do mundo em dirigir e sempre ficar do lado?
       Pessoas insubstituíveis são assim.
     "Voinho, eu não quero ir estudar mais não. Deixa eu ficar aqui com o senhor, eu cuido das vacas, dos pés de banana e dos pés de acerola, deixa?" 
      E quando eu olhar para a lua, é do senhor que eu vou lembrar. E quando eu olhar pro extenuante brilho da lua, eu saberei que, se o senhor não estiver aqui, comigo, o senhor vai estar lá. Dançando, cantando, feliz. 
      "Eu vou para a lua, eu vou morar lá.
       Eu vou para a lua, eu vou morar lá.
       Eu vou para a lua, eu vou morar lá." 

domingo, 15 de abril de 2012

Por que você nunca me disse?


Por que você nunca me disse quão relaxante é ouvir música depois de um dia cansativo?
Por que você nunca me disse que uma fruta adoça muito mais que a boca, adoça a alma?
Por que você nunca me disse que um abraço sincero aquece o coração?
Por que você nunca me disse que o céu, mesmo tão grande, protege mais do que assusta?
Por que você nunca me disse que não existe o amanhã sem o ontem?
Por que você nunca me disse do poder das estações?
Por que você nunca me disse que sempre e ainda podemos confiar nas pessoas?
Por que você nunca me disse que algumas pessoas nunca vão embora?
Por que você nunca me disse da força que tem o amor?
Por que você nunca me disse da magia das palavras?
Por que você nunca me disse do poder de Deus?
Por que?

sábado, 14 de abril de 2012

Por uma vida toda

Voltar às suas raízes... Que difícil pensar nisso! E como fazer? Uma viagem? Voltar no tempo? E quando isso é impossível? Lembranças? Mais e mais nostalgia? Comigo foi diferente...

- Oi, bom dia!
- Oi, quem está falando?
- Ora... Sou eu! Não acredito que você já esqueceu de mim?
- Ah, desculpe, então, deve ser a correria do dia-a-dia, mas, sinceramente, não estou reconhecendo sua voz...
- Sou eu. Sou as suas raízes!

E essa ligação durou mais de quatro horas. Curando feridas, afagando mágoas, relembrando conceitos e reafirmando caráter. Obrigado, minhas raízes, muito obrigado!

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Que eu tenha sempre comigo:

Abraço apertado.
Brilho no olho.
Tristeza que passa.
Criança por perto.
Prece nos lábios.
Fé no futuro.
Conversa que cura.
Firmeza nos passos.
Riso de graça.
Amor quentinho.
Força nos ombros.
Astral bonito.
Saudade mansinha.
Delicadeza nos gestos.
Cotidiano enfeitado.
Sonhos que salvam.

Autor desconhecido.

domingo, 8 de abril de 2012

Com quem me entende

"Oi Frederico! Quanto tempo, em, meu filho? Que saudades de conversar com você! Acho que é a correria e o pouco tempo que temos a sós, né? É, deve ser. Isso acontece porque não é todo mundo que entende a gente, o nosso relacionamento. Ah, tenho tanto que agradecer a você e a Francisco por me ajudarem esses dias... Principalmente a você, que está comigo há mais tempo. Obrigado, querido, obrigado! Tenho passado por tanta coisa esses dias e mesmo assim não sinto aquela energia negativa terrível dos tempos difíceis. Só uma sensaçãozinha boa danada de ficar aqui, principalmente aqui, perto de você. Obrigado. Mas sabe o que é, Frederico? Andei pensando muito esses dias, sabe?! Eu acho que tudo pode ser resumido no nosso relacionamento, sabia? É, no nosso relacionamento. Assim, eu te amo muito, muito mesmo, não é? E por muito tempo eu te deixo crescer para todos os lados, verde, lindo, grande... E você só reclama de mim quando eu passo um dia sem te dar atenção. Mas, mesmo assim, mesmo eu te vendo crescer tão feliz, existem dias como hoje. É, como hoje, que eu tenho que cortar suas folhas e tirar seus galhos secos. É, as folhas murchas e secas eu sei que você entende porque eu tenho que tirar. Elas não combinam com você, são coisas desnecessárias e que só te atrapalham. É, essas eu sei que você entende porque eu tenho que tirar. Mas, você se pergunta, porque eu tenho que tirar essas grandes e verdes e lindas e chamativas que aparecem na sua copa, ou que crescem muito e se destacam das outras em direção ao sol? Por que eu tenho que tirá-las? Não sei, Frederico, eu não sei. Talvez você esteja crescendo para o lado errado, talvez você deva crescer de forma homogênea, talvez essas folhas estejam tomando mais sua seiva que as outras, dificultando o desenvolvimento delas. Eu não sei, por isso uso o talvez. E o faço para mascarar a verdade. É, talvez. Sim, tirar isso de você, eu sei, é doloroso, penoso, chato até. Você termina se apegando tanto a essas folhas que se desenvolveram mais que as outras que acaba esquecendo que a qualquer momento eu posso vim aqui e tirá-las de voce. E todas as vezes voce vai me perguntar por que. Todas. E em todas eu não saberei te responder. Mas, sinceramente, por que sempre eu, e logo eu, que tanto te amo, tenho que vim aqui e tirar de voce o que voce mais gosta e admira? Novamente, Frederico, e dessa vez te peço desculpa, eu não sei. Mas sempre, e quando eu digo sempre estou sendo sincero, sempre voce fica bem. Sempre voce cresce muito mais, fica muito mais bonito, muito mais forte, muito mais feliz. E isso não demora pra acontecer. Quando menos espero, te vejo, mesmo que de longe, feliz sob a intensa luz do sol que te ilumina diariamente, seguindo seu caminho, seu percurso, seu destino.   E as folhas secas? Ah, essas você já sabia que elas iam sair de perto de voce. Voce já estava preparado pra isso. Elas não te faziam bem, não estavam de acordo com a sua beleza. Aí, novamente, voce me pergunta: mas, e as folhas verdes e bonitas? Eram frágeis, Frederico. Elas não aguentariam te acompanhar. Não mesmo. E no lugar delas, o que ficou? Ficaram novas folhas. Folhas fortes, robustas, coradas, resistentes, que vão te acompanhar para onde voce for. Que conhecem tua história e que te entendem. Elas sim merecem ficar com voce e vão ficar com voce. Elas não secam, ou demorar muito mais que as outras para secarem, e quando o fazem, sabem que tem outras iguais a ela perto de voce. Elas não sugam toda sua energia para alimentarem seu próprio ego, elas dividem tudo que é bom em voce com voce mesmo, para vocês seguirem juntos, por um caminho longo. E no final de tudo voce aprendeu com tudo isso. Sofreu, ah, sim, com certeza! Mas aprendeu. E isso é o que importa. Quando eu vier novamente arrancar qualquer outra folha oportunista que apareça em sua vida, voce já vai entender um pouco melhor e até me ajudar a responder a uma das suas milhares de perguntas nesse momento. Ou não. Talvez voce ainda não entenda. Mas a vida é assim. Talvez voce sofra novamente por esse mesmo motivo, e talvez eu venha com essa minha mesma história, e talvez você ainda não me entenda, e talvez eu te conte o que me contaram uma vez sobre o talvez. Mas sempre é assim. É o preço que se paga por viver."

Bagagem


- Mariana (Pedro Bandeira) (2005)
- Anjo da morte (Pedro Bandeira) (2006)
- Uma luz no fim do túnel (Ganymédes José) (2006)
- Os restos mortais (Fernando Sabino) (2006)
- Enquanto meu amor não vem (Viviana de Assis Viana) (2006)
- Corações Partidos (Luis Antônio Aguiar) (2006)
- Para gostar de ler vol. 10 (Vários autores) (2007)
- A feira (Lourdes Ramalho) (2007)
- A batalha da vírgula contra o ponto final (Tarcísio Pereira) (2007)
- Libertação (Evandro Barros) (2007)
- Sertão: inferno e ódio (Evandro Barros) (2007)
- Os segredos da mente milionária (T. Harv Eker) (2008)
- História para aquecer o coração (Jack Confield e Mark Victor Hansen) (2008)
- A menina que roubava livros (Markus Zusak) (2009)
- O salto para a vida (Célia Valente) (2009)
- Meu pé de laranja lima (José Mauro de Vasconcelos) (2009)
- Crepúsculo (Stephenie Meyer) (2009)
- Nunca desista de seus sonhos (Augusto Cury) (2009)
- O pagador de promessas (Dias Gomes) (2009)
- Capitães da areia (Jorge Amado) (2009)
- A morte e a morte de Quincas Berro D’água (Jorge Amado) (2009)
- O romance do pavão misterioso (José Camelo de Melo Rezende) (2009)
- Como tomar posse da benção (R. R. Soares) (2009)
- Esconderijos do tempo (Mario Quintana) (2009)
- O caçador de pipas (Khaled Hosseine) (2009)
- Para gostar de ler vol. 8 (Vários autores) (2009)
- Amigo – Somos muitos, mesmo sendo dois (Fábio de Melo) (2009)
- Eles não usam black-tie (Gianfrancesco Guarnieri) (2009)
- Sexos – Aquilo que os pais não falaram para os filhos (Luís B. Meira) (2009)
- Terra de Santa Cruz (Adélia Prado) (2009)
- O leitor (Bernhard Schlink) (2010)
- O coração roubado (Marcos Rey) (2010)
- A botija (Clotilde Tavares) (2010)
- Investimento Inteligente (Gustavo Cerbasi) (2011)
- As mentiras que os homens contam (Luiz Fernando Veríssimo) (2011)
- Machado de Assis – Contos (Machado de Assis) (2011)
- Doze contos peregrinos (Gabriel García Márquez) (2011)
- O futuro da humanidade (Augusto Cury) (2011)
- O pequeno príncipe (Antoine de Saint-Exupéry) (2011)
- O segredo de Brokeback Mountain (Annie Proulx) (2011)
- Água para elefantes (Sara Gruen) (2011)
- Anjos e demônios (Dan Brown) (2011)
- Eu sou o mensageiro (Markus Zusak) (2011)
- O segredo (Rhonda Byrne) (2011)
- O retorno do jovem príncipe (A. G. Roemmers) (2012)
- O médico (Rubens Alves) (2012)

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Pra que?


Pra que falar, se ninguém quer me ouvir?
Pra que escrever, se vou estar mandando recado?
Pra que ouvir, se ninguém sabe o que diz?
Pra que perguntar, se você nunca sabe a resposta?
Pra que responder, se você nunca perguntou?
Pra que provar, se você nunca acredita?
Pra que acreditar, se tudo diz que é mentira?
Pra que lembrar, se só me faz sentir saudades?
Pra que prometer, se ninguém cumpre mais nada?
Pra que duvidar, se nunca saberemos o que é verdade?
Pra que seguir, se a vontade é de ficar?
Pra que ficar, se tudo manda eu ir embora?
Pra que fingir, se tudo foi de verdade?
Pra que entender, se você não quer explicar?
Pra que explicar, se nada vai adiantar?
Pra que abraçar, se não durar mais que dois minutos?
Pra que beijar, se você tem que ir embora?
Pra que caminhar, se ninguém sabe pra onde vai?
Pra que esperar, se o futuro é agora?
Nostalgia. Hoje pensei em mudar o nome do blog, mas lembrei que já escolhi o nome certo.