No dia 12 de maio de 1933 nasceu um
herói. Não desses de contos de fadas ou de histórias de quadrinhos, mas um
herói de verdade, da vida real. Um homem que, por ser tão bom, se transformou
em um herói para a vida toda, um herói para várias gerações, meu herói. Um
homem simples, sincero, amável, responsável, que sempre ensinou pelo exemplo e
dando muito carinho. Um homem forte, tão forte que conseguiu entrar e seguir na
vida com honra, coragem, respeito e amor, principalmente amor.
Hoje o que eu sinto é saudade.
Saudade do homem que me ensinou valores, me ensinou a ser um homem, a ser quem
eu sou hoje, a ser quem eu serei amanhã. Lembro de quando eu era criança e
andava sempre com ele para todo canto. Isso me fazia tão bem... Eu me sentia a
criança mais protegida do mundo. E tinha orgulho, sempre tive orgulho, de dizer
para quem quer que fosse que eu era o neto dele. Que eu era um membro da
família daquele homem tão bom.
Lembro agora do dia que me perdi
quando era criança e a única coisa que fiz, além de chorar, foi me esconder
perto de um poste e esperar. Voinho sempre me passou tanta proteção, sempre me
transmitiu tanta segurança, que eu tinha absoluta certeza que ele não me
deixaria ali. Lembro também dos ensinamentos. Tantos. Tão sinceros. Um dia ele
me disse, em seus 70 anos ou mais, que ainda não sabia dirigir e que tinha
muito o que aprender ainda. Algumas pessoas talvez não ligassem para isso, mas
eu fiquei pensando... Como o homem que eu conhecia como o melhor motorista de
todos me diz que depois de mais de quarenta anos dirigindo ainda não sabia
dirigir? Nesse dia ele me ensinou a ter humildade. Outro dia um amigo dele
disse em uma conversa que não amava ninguém. Ele parou, sorriu e disse: -
Homem, homem, se eu disser hoje, depois de mais de 50 anos casado com minha
velhinha, que não amo ninguém, eu vou ser um mentiroso. Nesse dia ele me
ensinou a sempre valorizar o que temos e a pensar bastante antes de falar
alguma coisa.
E sempre foi assim. Talvez nem ele mesmo
percebesse, mas a cada conversa, a cada minuto juntos, ele sempre me ensinava
alguma coisa, sempre. E em coisas tão pequenas, em detalhes que muitas vezes
passavam despercebidos, eu ia juntando os ensinamentos, e juntando cada coisa
que acontecia com a gente eu fui formando meus conceitos, meus dogmas, meu
caráter.
Nunca vi ninguém chegar perto dele com
algum problema e sair com as mãos abanando... Sempre levava alguma coisa. A
solução do problema, uma boa história contada como exemplo, um ensinamento ou
até mesmo uma bronca. Mas tudo com a sabedoria eterna de quem aprendeu muito
com a vida e de quem sempre soube perceber seus erros, aprender com eles e transmiti-los
com aquela sabedoria almejada por todos os que tem objetivos na vida e que
querem um dia conquistá-los.
Nunca deixei de dizer nada para ele,
nunca deixei de expressar meus sentimentos e também nunca tive vergonha de
dizer: - Voinho, eu te amo. Mas ainda tenho tanto a dizer. Ainda tenho tanto a
agradecer. Ainda quero dizer Voinho, eu amo o senhor, respeito, admiro,
entendo. Quero ser como o senhor sempre foi. Quero, um dia, ter o equilíbrio
que o senhor sempre teve a vida toda. Quero amar meus filhos como o senhor amou
os seus, quero criá-los com o mesmo carinho, com a mesma paciência. Quero que o
meu amor por eles seja tão grande, que eu seja capaz de amar meus netos como
filhos, igual o senhor fez. Quero sempre valorizar as crianças, brincar com
elas, ter a paciência que o senhor teve com todas e aprender a valorizar um
sorriso sincero de uma criança, como o senhor. Quero construir tudo na minha
vida e focar nos meus sonhos, como o senhor sempre fez. Quero sempre andar de
carro ouvindo músicas, aproveitando uma companhia e sentindo o vento entrar
forte nas janelas abertas. Quero valorizar tudo o que tenho e valorizar as
coisas dos outros também. Quero entender o valor de uma amizade e levá-la
comigo para sempre. Quero sorrir das coisas da vida e procurar entender os meus
problemas e os problemas dos outros. Quero ser mais paciente e andar com calma,
firme, sempre em frente. Quero aprender a dividir minhas coisas e a pensar no
outro, como o senhor sempre fez e me disse que era o certo.
Mas quero, principalmente, agradecer.
Quero agradecer por tudo, por absolutamente tudo. Obrigado por sempre ter ficado
do nosso lado, entendendo nossos problemas e nos apoiando. Obrigado pelos
incentivos. Obrigado por ter me ensinado a dirigir. Obrigado por ter me
ensinado a gostar de musicas, a ser humilde, a sorrir de coisas simples.
Obrigado por sempre ter sido meu amigo. Obrigado por ter me ajudado sempre que
precisei, mesmo sem que eu pedisse ajuda. Obrigado por ter me mostrado,
diversas vezes, o caminho certo a seguir. Obrigado por ter sido o principal
motivador na maioria das minhas decisões. Obrigado por ter sido, sempre, o mais
certo das horas incertas. É muito bom saber que eu tenho e sempre tive um
grande amigo. Obrigado, Voinho, obrigado.
Sem o senhor meus dias dos pais nunca
mais serão os mesmos. E o que eu tenho a fazer são perguntas. Quem vai me dar,
orgulhoso, o chapéu novo para eu ir estiloso para a cavalgada? Quem vai aceitar
trocar comigo uma vaca por um cachorro? Quem vai andar comigo de carro e ficar
orgulhoso toda vez que eu dirigir bem? Quem vai me ligar no domingo cobrando
minhas ligações ou reclamar dizendo que estou sumido e nunca mais liguei? Quem
vai ficar sorridente e feliz quando ganhar um simples CD meu nas férias? Com
quem eu vou ouvir Roberto Carlos enquanto dirijo? Para quem eu vou ter o maior
orgulho do mundo em dirigir e sempre ficar do lado?
Pessoas insubstituíveis são assim.
"Voinho, eu não quero ir estudar
mais não. Deixa eu ficar aqui com o senhor, eu cuido das vacas, dos pés de
banana e dos pés de acerola, deixa?"
E quando eu olhar para a lua, é do senhor
que eu vou lembrar. E quando eu olhar pro extenuante brilho da lua, eu saberei
que, se o senhor não estiver aqui, comigo, o senhor vai estar lá. Dançando,
cantando, feliz.
"Eu vou para a lua, eu vou morar lá.
Eu vou para a lua, eu vou morar lá.
Eu vou para a lua, eu vou morar
lá."
um grande homem. :)
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