quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Apenas um olhar

      Eu não nasci pra leões, gatos e um bom dia seco e áspero. Eu nasci pros cachorros, pras aves e pros olhares que nos falam mais do que mil palavras. Não nasci pras ordens e pra vida prática e rápida. Nasci pras longas e intermináveis histórias contadas nas entrelinhas. Não nasci pra rotina e pra forma escrachada de se conversar. Nasci praqueles que entendem as coisas com rapidez, que pegam as coisas no ar. Nasci pras novas descobertas, pras mudanças repentinas, pro improviso. Nasci pros acordos, pras boas conversas. Conversas simples, singelas, sinceras, que te falam, que te fazem pensar. Eu não nasci pra olhar para um menino vendendo picolé na rua e enxergar apenas um menino vendendo picolé. Eu nasci pra ver além, pra enxergar, entes de tudo, uma fotografia, depois imaginar os pensamentos, a vida, o dia-a-dia, pra perder cinco minutos olhando pra estrada perdida na imensidão da vida daquele garoto. O que ele está fazendo ali? Quem ele será? Até que ponto os lindos dias dos singelos sete anos de idade andando sob o sol amargo e impiedoso tentando adoçar e esfriar um pouco a vida de tantos outros garotos vai influenciar a vida daquele alegre vendedor de picolé de pele negra e olhos verdes?

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